Filtro solar físico x químico – qual a diferença?

Filtro solar físico x químico – qual a diferença?

13 de fevereiro de 2017 12 Por Luciana Vilela

Filtro solar físico ou químico, qual é o seu?

Qual é a diferença entre o filtro solar físico e filtro solar químico? Qual é o melhor? Qual é o mais indicado pra mim? Já recebi essas perguntas aqui no blog mas nunca fiz um post sobre isso. Por isso recebi um material muito interessante que pode ajudar a tirar essas dúvidas que os leitores do blog tem, e eu também, afinal gosto de entender o assunto para escolher os produtos que eu uso. Protetor solar não se escolhe só olhando o FPS (que não deixa de ser um fator importante, mas não é o único), por isso espero que a matéria seja útil pra você!

Filtro Físico ou Químico? Tire suas dúvidas

Filtro Solar x Protetor Solar – entenda um conceito básico

Antes de começar vamos diferenciar o Filtro Solar do Protetor Solar.

Filtro Solar é o componente químico que irá efetivamente fazer o bloqueio da radiação.

Protetor Solar é o produto final – que contém Filtros Solares (geralmente mais de 1). Além do Filtro Solar, o Protetor Solar também tem conservante, um veículo hidratante, pode ou não ter antioxidantes, pigmentos, etc.

Filtros físicos e químicos: entenda a diferença e porque esta informação é importante ao escolher protetor solar

Já vimos que os filtros são componentes químicos, e é a origem química desses componentes que irá diferenciar os tipos de filtros: os filtros são inorgânicos e os químicos são orgânicos – lembrem-se de que aqui não estamos falando daqueles orgânicos vindos de produtos naturais, sem aditivos! Estamos falando daquela química que aprendemos no ensino médio, lembra? A química orgânica é a que compreende o estudo dos compostos com moléculas de carbono.

Filtros físicos ou inorgânicos

Filtros Físicos usados nos protetores solares são basicamente 2: Óxido de Zinco e Dióxido de Titânio. Além desses, quando o protetor solar tem pigmento é comumente usado o Óxido de Ferro, que também é um filtro físico.

(aliás, a presença de antioxidantes na fórmula de um protetor solar pode ajudar bastante a não deixar um protetor solar com cor escurecer após a aplicação, pois ele escurece pela oxidação)

Filtros Físicos: vantagens e desvantagens

Vantagens:

  • fotoestáveis
  • potencialmente menos alergênicos, por isso são os mais indicados para crianças, quem tem pele sensível, dermatite atópica, rosácea, etc

Desvantagem:

  • aparência cosmética deste tipo de protetor é mais densa, grossa, difícil de espalhar, costuma deixar um rastro branco na pele. Um exemplo comum de um filtro físico popularmente usado é a Pasta D´água, que tem muito óxido de zinco. Ela deixa uma máscara branca no rosto, mas funciona como filtro solar.

Se um protetor Solar tem 100% de filtros físicos ele é chamado de Protetor Solar Mineral

Filtros químicos ou orgânicos

Filtros orgânicos existem vários, e podem ser identificados por seu nome comercial ou na fórmula pelo nome do componente químico. Componentes comuns: avobenzone, benzophenone-3, octyl metoxicinnamate, octocrylene, oxybenzona.

Comercialmente os mais famosos são o Tinosorb, da BASF, que é usado por várias marcas como Darrow e SkinCeuticals (aqui no blog tem a resenha do UV Oil Defense) e o Mexoryl da Loreal (veja o Solar Expertise com cor)

Filtros Químicos – vantagem e desvantagem

Vantagem:

  • mais fácil de trabalhar a aparência cosmética final do protetor solar com um filtro químico

Desvantagem:

  • mais fotoinstáveis – se degradam mais fácil com exposição intensa. Por isso sempre ouvimos tanto dos dermatologistas a recomendação de retocar o protetor solar sempre que nos expusermos intensamente ao sol. É diferente usar um protetor solar para ficar em casa e usar num dia de praia, com exposição intencional intensa (isso sem falar no suor, no contato com água), pois os filtros químicos se destabilizam mais rapidamente com essa exposição.

Filtros Físicos e Químicos agem por absorção e não por reflexão

Eu sei que você já leu e ouviu muito essa informação de que os filtros físicos protegem pela reflexão dos raios solares. Inclusive aqui no blog eu havia dito isso algumas vezes (onde eu encontrei, já apaguei). Mas isso não é verdade – a verdade é que filtros físicos e químicos agem quase da mesma maneira. Na verdade, um filtro físico reflete cerca de 4 a 5% dos raios solares, o resto ele absorve. No mecanismo da absorção, os filtros fazem uma defesa filtrando os raios nocivos, ou seja, há uma transformação química da energia da radiação ultravioleta e a energia de baixa intensidade que atinge a pele não traz os malefícios da radiação que é potencialmente cancerígena, e com isso protege a pele também da queimadura.

Físico x químico: como escolher?

Os filtros solares inorgânicos (físicos) protegem mais contra a radiação quando ela é potencialmente carcinogênica, principalmente nos dias mais quentes — como o índice de radiação solar está muito alto. Nesses dias, essa radiação pode causar queimaduras sérias, às vezes até de segundo grau, trazendo mutações com o dano cumulativo ao longo das exposições, que na somatória (com o passar dos anos) pode se transformar em lesões como as queratoses actínicas e depois os próprios carcinomas de pele”, conta a dermatologista. “Os raios UVB e InfraRed furam o bloqueio dos filtros químicos de alguns produtos de fotoproteção e causam dano celular que, em consequência, provoca também flacidez com envelhecimento precoce da pele”, explica.

“Com relação ao filtro físico, o dióxido de titânio pode ser uma molécula natural ou micronizada, porque o dióxido de titânio quando aplicado natural deixa o rosto branco. E nas novas formulações com o ativo micronizado, ele fica fluido, quase transparente. Ele pode ser associado também ao óxido de zinco e ao óxido de ferro, então temos filtros físicos que formam uma barreira eficiente sobre a pele.

Fórmulas robustas

As novas formulações trazem a combinação de filtros químicos e físicos para potencializar o efeito fotoprotetor. “Os filtros solares inorgânicos assim como os químicos devem ser passados quando a pessoa está em exposição ambiental a cada duas horas, mas se houve um mergulho no mar ou na piscina, ele deve ser aplicado imediatamente. Sabemos que a característica do horário é muito importante, então se o paciente está entre 10 e 18h em exposição solar aguda, ele deve reaplicar esse filtro com maior generosidade, formando realmente uma camada filmógena, e com intervalo mais curto de reaplicação principalmente se ele estiver praticando uma atividade física e estiver em exposição ambiental, como na praia”, indica. “No caso das crianças, o melhor é optar sempre por filtros solares adequados com uma nomenclatura pediátrica, ou para crianças. São indicados produtos com filtros solares físicos ou inorgânicos”, conta a Dra. Cláudia Marçal. Isso acontece para que não haja penetração de substâncias químicas na pele.

Afinal, qual FPS?

“Os filtros solares hoje, com relação ao novo guideline mundial, nunca devem ser abaixo de 30. O ideal mesmo para pessoas de fototipos mais claros são filtros acima de 50 para áreas nobres como rosto, pescoço, orelha, dorso das mãos e a região do colo”, conta. “Realmente sabemos que na prática aquilo que está no FPS do frasco acaba não sendo aplicado como deveria e aquele filtro que está ali não é o mesmo que está aplicado sobre a pele, porque é aplicado em menor quantidade e não é reaplicado no momento que deveria ser. Então em algum momento, a pessoa fica com uma fotoproteção muito pior, o que pode fazer com que ela sofra queimadura”, finaliza.

 

Fonte: Dra. Claudia Marçal
Dermatologista da Clínica de Dermatologia Espaço Cariz, com especialização pela Associação Médica Brasileira (AMB), membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e membro da American Academy of Dermatology (AAD), CME (Continuing Medical Education) na Harvard Medical School.

Colaboração: Guilherme Zanette