Onde estão os pais?

4 de setembro de 2014 32 Por Luciana Vilela

Hoje o post é um desabafo de mãe. Se servir de alerta para pelo menos 1 pessoa já fico bem feliz…

Nas últimas semanas tem acontecido algumas coisas aqui em casa. Refletiu até nas minhas postagens aqui no blog, pois não andei tendo tempo nem cabeça direito…

Minha filha mais velha tem 7 anos, e tem sido bombardeada na escola: os colegas, da mesma idade, ensinaram todos os palavrões que existem no mundo, e contaram tudo sobre sexo do pior jeito possível para uma menina de 7 anos que ainda não tinha nenhum tipo de despertamento para o assunto.

Uma vantagem eu tenho: minha filha me conta tudo e pergunta tudo, e as coisas que andei escutando nas últimas semanas foram de arrepiar. Eu até já estava preparada para falar sobre o assunto com ela quando fosse necessário – e até já tinha respondido uma ou outra curiosidade normal da idade – mas o nível, aliás, o baixíssimo nível das coisas que ela andou ouvindo me impossibilitou totalmente de fazer as coisas do meu jeito.

Eu não tenho nem coragem de mencionar aqui, mas para vocês terem uma ideia pensem num conteúdo de filme pornográfico, ou desses programas de TV de baixo nível que tem todo tipo de palavrão e insinuações pornográficas que provavelmente no seu tempo de criança, principalmente com 7 anos, seus pais jamais deixaram que você visse (se você é do meu tempo, pois meus pais não deixavam naquela época).

pare o mundo que eu quero descer

 

Claro que eu já fui na escola, tive reunião com a diretora, professora, conversei com alguns pais, enfim, parti para a ação e fiz o que estava ao meu alcance, fora da minha casa.  E a escola também está fazendo sua parte, pois todos concordaram comigo que não é normal ouvir de crianças de 7 anos o tipo de baixaria que estamos ouvindo em casa. Mas minha ação e a ação da escola tem um alcance limitado, pois chega uma hora em que dependemos de outra ação: a dos outros pais. Toda essa confusão começou por causa de 2 crianças. Duas crianças conseguem inflamar uma sala inteira, ainda mais com um assunto tão cheio de novidades quanto esse, vocês podem imaginar. Descobrimos que elas tem tido acesso a programas de TV totalmente inapropriados para a idade, e tem acessado todo tipo de sites na internet. Imaginem o tipo de coisa que elas tem visto…

E aí, os pais que estão atentos à vida do filho, que controlam o que eles vêem na TV, que controlam o uso da internet, que ensinam, investem seu tempo, sofrem as consequências dos pais que não fazem nada disso.

 

quanto custa seu tempo

 

Não estou julgando, cada um sabe de suas necessidades e os motivos que fazem com que fiquem fora de casa o dia todo. Ultimamente eu tenho tido o privilégio de acompanhar melhor as minhas filhas e sei que esta não é a realidade da maioria das mulheres – mesmo que muitas delas não por necessidade, mas por escolha – mas alguma coisa precisa ser feita. Crianças não podem ser entregues à TV, internet, facebook, e a educação não pode ser delegada à escola. O papel dos pais é o maior e mais importante, e tem sido entregue a todas essas coisas e o resultado está aí. 

 

Há alguns meses, esta mesma filha chegou em casa me pedindo para ter um perfil no Facebook. Eu expliquei que não podia, que isso era coisa pra adultos. Ela contestou, dizendo que os colegas dela tinham. Mas como? Com 7 anos?

Eu expliquei que o site tem uma regra que diz que só pode se inscrever com 13 anos, no mínimo. No outro dia, ela voltou pra casa me contando que não tem problema, eu poderia inscrevê-la no Facebook sim, que os colegas dela mentiram a idade, e muitos deles tiveram seus perfis feitos pelos próprios pais.

Agora eu pergunto: você iria gostar que seu filho mentisse a você, dizendo que está na casa de um amigo estudando mas na verdade ele foi a uma festa que você havia proibido? Você quer confiar no seu filho, sabendo que pode confiar nas coisas que ele vai te contar no futuro?

Se você quer que seu filho seja sincero com você, como pode ensiná-lo que pode mentir a idade para obter um perfil no Facebook? Ah, isso é muito pouco, isso não tem importância? Comece por aí, nas pequenas coisas, e quando as grandes vierem ele não irá reconhecer a diferença entre uma coisa e outra.

As crianças não tem culpa de nada, pelo contrário, tem sido as vítimas. Os pais, cheios de boas intenções, querem dar o melhor, proporcionar as melhores viagens, dar os melhores brinquedos, pagar pelas melhores roupas, mas esquecem de que para usufruir de tudo isso precisam construir primeiro o menino, que é o pai do Homem, como disse Machado de Assis.

 

Quanto a mim, depois do susto, parti para a ação. No meu caso, que sou cristã, parti para a oração e ação: eu tenho certeza de que os princípios que passo para as minhas filhas não serão sufocados por tudo que elas aprenderem no mundo que vão enfrentar. Eu creio nisso pois foi esta a minha experiência, eu cresci vendo muitas coisas mas não participei delas. Mas sinto muito, muitíssimo, pelas crianças que não terão seus pais nessa empreitada. Tenho conversado muito com a Laura, tenho visto como ela tem reagido – algumas vezes me sinto orgulhosa, em outras, fracassada, mas essa montanha russa faz parte da arte de educar, já percebi – mas estou certa de que amor nunca é demais, e o tempo investido na minha filha terá um retorno no tempo certo.

Eu poderia estender este post, mas vou parar por aqui, precisava fazer este desabafo que também é um alerta. Aliás, estou enxergando toda essa situação como um alerta também, pois hoje certamente estou ainda mais atenta à minha filha do que estava há um mês, certamente. O estrago que já está feito, está feito, eu gostaria de ter tido o direito de ensinar esse assunto para ela do meu jeito, mas eu ainda tenho tempo e principalmente disposição para resolver essa situação da melhor maneira daqui pra frente. Eu só desejo, do fundo do coração, que as outras crianças também tenham esse privilégio de ter alguém por perto nesses momentos em que elas mais precisam…